Realizar uma compra coletiva em sites brasileiros era algo impensável para os internautas do País até o final de 2009. Opções para esta modalidade de compra só estavam disponíveis no exterior. No entanto, foram necessários apenas quatro meses para que se operasse uma mudança radical nesse mercado no Brasil. De março até agora já são mais de 10 empresas atuando com compras coletivas no País. Mercado promissor que, no caso do Brasil, traz vantagens para consumidores, investidores e empresas parceiras.
Neste tipo de compra, a empresa que mantém o site realiza parcerias com outras empresas e oferece a sua base de cadastrados descontos na compra de produtos e serviços que podem chegar até 90% do valor integral. O internauta recebe a promoção por e-mail. Caso a oferta lhe interesse, basta comprar um cupom online para ter acesso ao serviço ou produto no estabelecimento parceiro. Alguns sites estabelecem o limite mínimo de compradores para efetivamente conceder o desconto. Quando o número é atingido, outro e-mail solicita ao internauta o pagamento do cupom, que poderá ser trocado diretamente na empresa parceira.
Pioneiro no Brasil, o Peixe Urbano iniciou suas operações no dia 30 de março oferecendo descontos em estabelecimentos de São Paulo. Além da capital paulista, o Peixe Urbano já atua em 14 cidades, incluindo algumas do interior de São Paulo, como Ribeirão Preto e Campinas. Na terça-feira (29/06) o maior desconto oferecido pelo site chegava a 70% do valor integral. Trata-se de um cupom de compra numa loja carioca de confecções femininas. Batizada de Personal Shopping, a ação oferecia o cupom ao preço de R$ 24,00; integralmente o mesmo serviço custaria R$ 80,00. A oferta havia sido ativada ao atingir 81 vendas.
A estudante Tatiana Olegário já comprou duas massagens oferecidas no site para ela e para a mãe. No total, economizou R$ 192,00 pelos dois cupons. Questionada se o site oferece alguma desvantagem quando comparado com outros tipos de compra online, a estudante é taxativa: “Não tenho nenhuma queixa. Quando a compra é efetivada, tudo ocorre da melhor forma possível”, conclui. No Peixe Urbano o sistema de pagamento utiliza o PagSeguro, da UOL.
A rápida ascensão do Peixe Urbano despertou interesse de investidores estrangeiros e deu início a uma corrida à exploração do segmento no Brasil. Na sexta-feira (26/06), o Groupon – maior site do gênero nos EUA e primeiro do setor naquele mercado – lançou um site de compras coletivas para o Brasil. O projeto dos criadores do Groupon chama-se Clube Urbano.
O nome é bem parecido com o Peixe Urbano, pioneiro do setor no Brasil. O que os diferencia é o aporte financeiro. O estrangeiro Clube Urbano iniciou com um investimento de US$ 15 milhões e planeja operar em mais 30 cidades brasileiras até o final do ano. "Nos EUA, já há 200 sites. Acredito que o Brasil pode ser nosso segundo maior mercado em um ano", estima o presidente do Clube Urbano, Florian Otto, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Para início das atividades, o site já conta com uma equipe de 15 colaboradores que deve ser ampliada para mais de 100 funcionários nos próximos meses. Por enquanto só é possível encontrar descontos para São Paulo no site do Clube Urbano, mas no menu principal da página já é possível contabilizar 33 cidades nas quais o grupo pretende atuar.
Também com recursos estrangeiros, o Clickon está presente em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba e chega, nas próximas semanas, a Recife, Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O grupo estreou em maio, com verba de R$ 17 milhões do empresário alemão Klaus Hommels, também investidor dos sites Skype e Facebook. Já tem 200 mil clientes. "Vamos manter a preocupação com a qualidade dos produtos ofertados. Temos um know-how sobre o público brasileiro que o Groupon não tem", diz Marcelo Macedo, um dos sócios do Clickon, em entrevista à Folha, ao comparar seus serviços aos do Clube Urbano. No Clickon, o sistema utilizado para processar as transações é o Pagamento Digital (do Buscapé).
Como ocorre na disputa de um mercado promissor, o número de empresas destinadas a explorar o segmento cresce em caráter exponencial. De março até agora, além das três empresas já citadas, o internauta brasileiro pode aderir à febre das compras coletivas através de diversas opções como o Wego (São Paulo), o Coletivar (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro) e o City Best (Belo Horizonte, Brasília e Juiz de Fora).
A proliferação das opções para comprar coletivamente já inaugurou outro tipo de negócio: os sites dedicados a agrupar as principais ofertas do País. É o caso do Zipme, buscador que exibe os melhores descontos em cada cidade, de qualquer site de compra coletiva. A idéia do site está na escolha do próprio nome. “Como sugere a própria palavra ‘zip’, comumente usada na net com o sentido de compactar, deixar um arquivo mais leve e mais rápido, na prática é isso o que Zipme está fazendo com estes sites de ofertas. Por meio de um mecanismo de controle, o portal gera facilidade para o internauta encontrar o que mais lhe interessa”, explica a página do serviço.
Outra vantagem dos sites de compras coletivas é que eles transformaram-se em uma lucrativa plataforma de divulgação para empresas de pequeno porte. Uma pequena loja de cupcakes – bolinhos americanos do tamanho de uma xícara, com receitas que não levam nem ovos nem manteiga – situada em São Paulo decidiu anunciar seu produto no Peixe Urbano no começo de maio com um desconto de 50%. O empresário Elias Freire Júnior, dono da DeliCake, disse que vendeu mais de 800 unidades em dois dias. Esperava ter na conta um saldo positivo de, no máximo, 30 bolinhos. Freire afirmou que o retorno foi pequeno com a empreitada, por conta da diminuta margem de lucro dos cupcakes, mas salienta que foi uma ótima maneira de anunciar a sua loja. Saldo positivo de mais de 150 novos clientes cativos após o anúncio. Resultado semelhante obteve a publicitária Renata Zarnowski, dona de um salão de beleza de Belo Horizonte que angariou 200 novas clientes após anunciar no CityBest. Os dois casos foram descritos em recente reportagem da revista Veja.
Depois da onda dos cupons de desconto nas compras virtuais em sites de grandes lojas, a evolução e o sucesso recente dos sites de compras coletivas demonstra uma mudança no modo como o brasileiro se relaciona com o e-commerce. Mudança que, até agora, tem trazido investimentos estrangeiros, crescimento para pequenas empresas e economia para consumidores. No Brasil, pelo menos por enquanto, a iniciativa vem dando certo.
Fonte: IT4Cio
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